Camille Claudel – Muito Além do seu Tempo

Bonjour mês amis, ça va bien? 

O tema de hoje é Camille Claudel, uma artista muito além do seu tempo, uma história de amor, intensidade, talento, genialidade, incompreensão, preconceito, machismo e injustiça, mas sua obra está acima disso. 
Esse artigo foi feito em sua maioria pela minha mãe Simone, admiradora da obra de Camille Claudel, então, nos acompanhe nesse caminho pela vida e obra de Camille Claudel! Camille Claudel, nome artístico de Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper,  foi uma escultora e artista gráfica francesa. Faleceu na obscuridade, abandonada por sua mãe e toda família em uma manicômio, aonde foi internada por mais de 30 anos por seu irmão  poeta e diplomata Paul Claudel. Sua obra ganhou reconhecimento por sua originalidade décadas após a morte. 
Nasceu em Fère-en-Tardenois em 8 de dezembro de 1864 em uma família burguesa e faleceu em 19 de outubro de 1943, aos 79 anos. Na infância, Camille e seu irmão Paul fugiam de casa para brincar nas montanhas para esculpir com barro figuras como Napoleão , Davi e Golias e membros da família.Seu Pai, Louis Prosper, seu grande incentivador, percebeu o talento da filha e aos 17 anos a levou a Paris, palco da efervescência artística do século XIX. 
Camille estudou na Académie Colarossi com o escultor Alfred Boucher, um dos poucos lugares abertos a estudantes mulheres, pois na época, a famosa École des Beaux-Arts barrava a matrícula de mulheres.Alfred Boucher tornou-se seu mentor e lhe concedeu a inspiração e encorajamento que recaiu sobre toda uma geração de novos escultores. Camille esculpiria um busto de seu mentor em gratidão. Alfred a apresentou ao Diretor Nacional de Belas Artes Paul Dubois, que identificou semelhanças entre o trabalho de Auguste Rodin e Camille e os apresentou, então Rodin a convidou para ser sua assistente. Assistente: artistas iniciantes que trabalham para um artista renomado, com o intuito de aprender. Ter uma peça assinada pelo mestre era uma honra.
Camille  era incumbida de esculpir pés e mãos. Segundo especialistas, Rodin costumava definir a emoção dos seus personagens pelas mãos.E foi assim que o tumultuado e controverso relacionamento de Rodin com Camille começou. Ela se torna sua inspiração, sua modelo, confidente, amante e posteriormente rival de Rodin. Essas duas imagens são de Camille feitas por Rodin.A família de Camile discordava do seu comportamento por priorizar as obras de Rodin  em detrimento as dela, ela esculpia e ele assinava. Camille e Rodin nunca oficializaram o relacionamento, pois ele relutava em terminar seu relacionamento com sua esposa Rose.
Em 1892, após passar por um aborto, Camille se separa de Rodin. 
Foi nessa época que ela teve seu período mais profícuo. Estudou arte oriental e passou do realismo ao fantástico e procurou trabalho com miniaturas e movimentos. 
Obras que fazem parte dessa época: 
➡️A valsa
➡️As bisbilhoteiras
➡️A Pequena Castelã
➡️Reflexão Profunda
➡️A onda
➡️A idade madura  Camille é considerada pelos críticos de arte e escritores como um gênio da escultura, uma revolta contra os padrões estabelecidos para as mulheres. Seus trabalhos iniciais podem demonstrar influência de Rodin, mas mostram seu conhecido lirismo e farta imaginação, em especial na famosa A Valsa  (1893)

Eu gosto muito A Valsa, minha filha Vanessa me presenteou com uma miniatura que deixo em lugar de destaque na sala da nossa casa. Camille sofreu preconceito e abandono , ela passou a viver trancada em seu estúdio em companhia dos seus gatos.

Com sérios problemas financeiros, usava roupas e sapatos velhos, não comia direito e começou a beber. 
Depois que sua obra “A idade Madura” , considerada sua obra mais autobiográfica, foi recusada pela Exposição Universal em 1900, mesmo sendo uma encomenda para a referida  Exposição ,  Camille passou a achar que havia um complô de Rodin contra ela. 
Essa obra representa uma Camille ajoelhada e suplicante de Rodin abraçado a sua esposa, e portanto deixou Rodin desconfortável.Imediatamente ele cessou seu suporte a Camille e pressionou o ministro de belas artes que cancelasse pagamentos para obras em bronze. Muitos criticaram a postura de Rodin de não dar a Camille o respeito o. reconhecimento que ela merecia.Alguns historiadores argumentam que Rodin teria tentado ajudar Camille do jeito que pode após a separação, mas que o mundo da arte negligenciava o talento nato de Camille, o que a levou ao esgotamento e à destruição de seu ateliê. 
Esculpir era uma arte cara e Camille recebia poucas encomendas devido ao seu estilo pouco comum para o gosto da época, o que a endividou.
Camille era odiada pela família, seu irmão e sua mãe conspiraram para mantê-la sem dinheiro e depois para mantê-la no hospital psiquiátrico, onde viveu por 30 anos até sua morte. Teorias sugerem que seu irmão invejava o sucesso e o talento da irmã, tendo afirmado que ele era o único gênio da família.Sua irmã mais nova, Louise, desejava o acervo da irmã e comemorou o declínio de Camille.
É de concordância entre os críticos de arte que Camille era um gênio incompreendido, com uma arte suprema e infinitamente bela, forte e brilhante, que porém nunca recebeu o devido reconhecimento em vida.

Seu pai aprovava seu estilo de vida e sua escolha profissional e a manteve financeiramente até sua morte em 2 de março de 1913, fato que não foi informado a Camille. 

Dias depois, em 10 de março, seu irmão Paul Claudel internou-a abusivamente no hospital psiquiátrico. No formulário diz que o internamento foi “voluntário”, mas foi assinado apenas pelo irmão de Camille e pelo médico responsável. Há registros que mostram que, embora ela tenha tido surtos, ela estava completamente lúcida enquanto trabalhava na sua arte. Os médicos tentaram convencer a família que ela não precisava estar internada, mas mesmo assim eles a mantiveram lá.

A mídia, por um tempo, acusou a família de encarcerar um gênio da escultura. Sua mãe proibiu Camille de receber cartas de qualquer pessoa, a não ser seu irmão. O hospital propôs novamente que Camille não tinha porque ser mantida encarcerada, mas a família se recusava a lhe dar a dispensa.

Em 1º de junho de 1920, o médico Dr. Brunet mandou uma carta à mãe de Camille para que tentasse reintegrar a filha ao convívio familiar, mas nunca recebeu resposta.

Seu irmão Paul a visitou apenas setes vezes em 30 anos: 1913, 1920, 1925, 1927, 1933, 1936, 1943. Sempre se referia às visitas como tensas. Sua irmã Louise a visitou apenas uma vez, em 1929. Sua mãe, porém, nunca a visitou.

 Em 1929, sua amiga Jessie Lipscomb a visitou e insistiu que Camille não era insana, nem louca, nem precisava de internação.  Abaixo duas Fotos das amigas em períodos diferentes. Na juventude e já no manicômio. O amigo de Rodin, Mathias Morhardt, insistia em dizer que Paul queria calar o talento da irmã. 

Ele declarou: “Paul Claudel é um simplório. Quando alguém tem uma irmã que é um gênio, você não a abandona. Mas ele sempre pensou que era ele o gênio da família.

Sua família, apesar de rica, negaram a pagar uma pensão hospitalar a Camile, e nada fizeram para amenizar seu sofrimento, mesmo sabendo das condições sub-humanas que viviam os internos da época. 

Rodin enviava-lhe algum dinheiro, mas nada fazia para tirá-la daquele sofrimento.

Carta sem data escrita por Camille à sua mãe durante internação em manicômio 

“Minha querida Mamãe, (…) Um velho cozido de carne com molho escuro, engordurado e amargo ao longo do ano inteiro; um prato de macarrões nadando em óleo, ou então um prato de arroz do mesmo tipo, resumindo, uma porcaria, do começo ao fim. De entrada, um minúsculo (…) de presunto cru, de sobremesa, velhas tâmaras fibrosas, três velhos figos endurecidos ou três biscoitinhos envelhecidos também, ou um velho queijo de cabra. Eis o que me dão por seus 20 francos por dia. O vinho é um vinagre, o café é uma água de batatas. É realmente uma prova de loucura gastar assim esse dinheiro. Quanto ao quarto, é a mesma coisa. Não tem nada, nem um edredon, nem uma bacia higiênica, nada (…). Não quero de forma alguma continuar na primeira classe e peço a você que, quando receber esta carta, faça que me voltem a por na terceira classe como antes. Já que você teima, apesar de meus protestos, a me deixar nessas casas de saúde onde sou horrivelmente infeliz, desprezando qualquer espécie de justiça, ao menos economize seu dinheiro; e se for o Paul, comunique-lhe minhas apreciações.
Você tem notícias dele? Sabe onde ele está atualmente? Quais são suas intenções quanto a mim? Será que ele pretende me deixar morrer nesses asilos para alienados? Você é muito dura ao me recusar um abrigo em Villeneuve. Eu não faria nenhum escândalo, como você pensa. Ficaria demasiado feliz só por retornar à vida comum para fazer qualquer coisa. Não ousaria me mexer nunca mais, de tanto que já sofri. Você diz que seria necessário alguém para cuidar de mim? Como assim? Nunca tive uma empregada em toda a minha vida, foi você que sempre precisou.
Se você me desse apenas o quarto da senhora Régnier e a cozinha, poderia fechar o resto da casa. Eu não faria absolutamente nada de repreensível, já sofri demais para conseguir me recuperar.
Você não vê que eles sempre mentem de propósito, para tirar o seu dinheiro.
Recebi o chapéu, fica bem; o casado, que também serve; as meias são admiráveis; e o resto do que você me mandou.
Beijos.

Camille.

A grafologista italiana Lígia Fagorolo analisou a escrita de Camille em cartas enviadas a familiares e nos revela alguns pontos importantes. 

Camille no manicômio não era agressiva, ao contrário, era tranquila e só queria voltar pra casa. Hoje consideram o mal de Camile a uma depressão. 

Camille Claudel, sua forte personalidade, sua intransigência, seu gênio criativo que ultrapassou a compreensão de sua época, como afirma o personagem de Eugène Blot no filme, permanecerá ainda e sempre um Sumo Mistério. Ela tinha uma inteligência e um talento fora do comum e poucas pessoas da época entendiam seu grande dom para ser uma verdadeira artista.

Morte

Camille Claudel faleceu em 19/10/1943, após viver 30 anos no hospício de Montfavet (hoje conhecido como Asilo de Montdevergues, um moderno centro hospitalar e psiquiátrico).Em setembro de 1943, Paul foi informado sobre a doença terminal de sua irmã, tendo dificuldades de atravessar a França, ocupada, durante a segunda guerra mundial, mas não estava presente nem na sua morte nem em seu funeral.

Sua mãe faleceu em 20 de junho de 1929 e sua irmã também não foi a Montfavet. O corpo de Camille foi enterrado no cemitério da instituição em uma vala comum.

Em vida, ela foi atormentada por um amor impossível e pelos preconceitos da sociedade francesa do século XIX, que era extremamente preconceituosa e machista.
Apesar de ter destruído parte de seu acervo, cerca de 90 estátuas de Camille sobreviveram. 

Filmes sobre Camille Claudel

➡️O filme Camille Claudel (França, 1988 – California Filmes) relata a vida da escultora. Conta com a direção de Bruno Nuytten e a participação de Isabelle Adjani como Camille e Gérard Depardieu como Rodin.

➡️Em Camille Claudel 1915 – (2013), dirigido por Bruno Dumont, Juliette Binoche interpreta Camille em 1915, já internada.

Museu Encontramos obras de Camile no Museu Rodin, Museu D’Orsay e no Museu Camile Claudel.
O Museu Camille Claudel é o primeiro museu no mundo dedicado à obra da famosa escultura francesa. Localizado na cidade de Nogent-sur-Seine, onde Camille morou dos 12 aos 17 anos, o museu ocupa uma série de prédios. Fazem parte do conjunto a antiga casa da família Claudel e o antigo Museu Dubois-Boucher (dedicado aos escultores Paul Dubois e Alfred Boucher), além de novos edifícios projetados pelo arquiteto Adelfo Scaranello. O acervo do museu possui um conjunto importante de obras de Camille Claudel que cobre toda a carreira da artista e mostram a evolução de seu trabalho. Estão presentes esculturas que Camille apresentou na sua primeira participação no salão dos artistas franceses, em 1885, até seus últimos trabalhos, realizados por volta de 1905.Além disso é possível ver obras de outros 3 grandes escultores franceses que, por acaso ou não, nasceram ou residiram em Nogent-sur-Seine. Além de Camille Claudel e de Paul Dubois e Alfred Bouche, já citados acima, há também esculturas de Marius Ramus.

Informações práticas

Museu Camille Claudel –  10 rue Gustave-Flaubert, Nogent-sur-Seine, França.

Na Gare de l’Est em Paris pegue um trem com destino a Nogent-sur-Seine.  A viagem dura cerca de 1 hora.

Horários de funcionamento: terça a sexta de 11h as 18h e sábados e domingos de 11h as 19h. Fechado às segundas e nos dias 1° de janeiro, 1° de maio, 1° de novembro e 25 de dezembro

Preço do ingresso: 7€ com direito ao audioguia.

Espero que visitem os museus e conheçam as belíssimas obras de Camille Claudel. 

Bisous et à bientôt 😘

Simone & Vanessa 🌻

Fonte:

Wikipedia

Arquivo pessoal de Simone Geraldeli

2 comentários sobre “Camille Claudel – Muito Além do seu Tempo

  1. Simone Geraldeli

    Sempre que leio a respeito de Camille Claudel me dói a alma . Muito sofrimento pelo simples fato de ser mulher em um mundo masculino . Ainda hoje muitas mulheres vivem esse suplício . Ainda teremos que caminhar muito para conseguirmos o respeito e liberdade de pensamentos que merecemos . Camille é um exemplo dessa vergonha inominável . Toda mulher devia conhecer e admirar o trabalho dessa artista que verdadeiramente nos representa . Parabéns Vanessa por mais esse texto admirável !

    Curtido por 1 pessoa

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