Confinamento em Paris – 2020 🖤

Bonjour mês amis, ça va bien? 

Finalmente estou de volta ao Blog, após um período sabático por conta do confinamento em consequência da Pandemia do Covid 19. Durante esse período eu perdi completamente a inspiração para escrever sobre Paris. 💔

Como escreveria sobre o que fazer em Paris, sendo que não havia turismo? Não tinha clima para escrever, então dei um tempo, mas estou de volta e com muitas coisas interessantes para mostrar, vem comigo! 2020 é um ano perdido, um ano que ficará para a história, o ano em que o mundo todo virou de cabeça para baixo, todas as Nações focadas no combate ao corona vírus, todos os líderes mundiais lidando com uma situação inédita, cada um ao seu modo, porém todos marinheiros de primeira viagem.

As crianças estudando em casa, empresas consolidadas fechando as portas, desemprego em massa, surto coletivo, todos trancados em casa à espera de uma vacinaEu vivi dias tensos por aqui, vivi um confinamento sozinha por 60 dias, trancada em um apartamento pequeno, vivenciando o silêncio absoluto, angústias pela solidão e por preocupação com família e amigos. Não, vocês não têm ideia de como foi rígido e sofrido esse momento por aqui, mas foi justamente por isso que recebi um convite do meu amigo e jornalista Marcos Madeira, para escrever para o Blog do Madeira um depoimento sobre essa experiência, e assim foi feito. A vida por aqui está não se sabe como, aliás, nem sei se posso chamar isso de vida, não vejo, não sinto, nem ouço a vida!

Estou trancada em um apartamento de 40m2, com liberdade restrita, não tenho contato físico e visual com ninguém ha um mês, nunca, jamais na vida senti o que tenho sentido nos últimos dias. 

Os vídeos de Paris vazia são tristíssimos, parece que a civilização acabou, como um antigo programa do History Channel, “O mundo sem ninguém” .

Ao sair na rua em casos estritamente necessários, ninguém se olha, ninguém se aproxima, aliás, todos se distanciam, trocam de calçadas, os movimentos estão friamente calculados. 

Ao entrar no Carrefour eu tropecei e quase caí, imediatamente achei engraçado e dei um sorriso para a moça do caixa, que me retribuiu com olhar de indiferença, deve ser o stress, não dá pra relevar! 

O silêncio diário se quebra quando ouvimos sons de passarinhos ou às 20h com as palmas aos profissionais de saúde, fora isso, nada, somente nada, tudo apático! 

Durante 3 dias senti uma bola no peito seguido de dor ao respirar, será corona? Capaz! Angústia! Ela está afetando mais que corona, eu garanto! 

Com isso só consigo pensar no quanto as relações humanas são necessárias, não dá pra viver sozinho por muito tempo, necessitamos de trocas de olhares, de toques, de conversas, de sentir, ouvir, de compartilhar! 

Aquela ideia de viver em ilha deserta é um pesadelo, estou preferindo a gritaria do povo lá em casa misturado aos latidos dos cachorros logo cedo do que esse « nada » que nos ensurdece e corrompe a alma. 

Provavelmente esse período de quarentena será prolongado, não sei quando isso acaba, vamos seguindo entre calmantes, soníferos, livros e Netflix, pois a coisa aqui tá feia!” Esse foi o depoimento, fiz em menos de 10 minutos, escrevi de uma só vez e veio do fundo da alma. Geralmente, ao escrever, eu penso, escrevo, apago, reescrevo e desenvolvo o texto, mas esse foi de uma vez e acho que por isso saiu tão intenso e demonstrou fielmente o sentimento de vazio e angústia que tomava conta de mim naquele momento.

Durante o confinamento eu fugi, sim, eu fugi, saí de casa além do limite de 1 km estabelecido pelo governo, peguei o metrô e fui até o Arco do Triunfo, morrendo de medo da polícia, mas fui e felizmente a polícia não me parou e eu fiz essas fotos.

Após alguns dias eu me mudei de apartamento, no auge do confinamento, em um domingo de manhã eu me mudei para um apartamento perto da Torre Eiffel, tive medo também de levar uma multa, mas deu tudo certo.

E o dia da liberdade chegou, a França autorizou a todos sairem de casa com limitações entre cidades, mas eu podia sair por dentro de Paris, isso que importava.

Acordei, botei roupa para caminhada e fui até a Trocadéro, desci os jardins e fui até as margens do Rio Sena e andei um bom tempo, curtindo o momento, estava mais vazio do que o normal, mas a sensação era ótima, parecia que eu tinha acabado de sair da prisão e sentia o gosto da liberdade, foi sublime! Para passar o tempo nesses 60 dias, eu me virei como pude, eu fiz uma semana de live, cada dia um tema diferente, cada dia em benefício de uma Associação em Varginha e foi muito legal, tanto para mim, quanto para quem acompanhou.  A preparação para as lives ocuparam meu tempo e foi uma salvação em meio ao tédio, eu já estava cansada de ler, enfim, foi legal! Então, essa foi minha experiência durante o confinamento, foi tenso, mas a vida segue e vamos vivendo, esperando que a vacina chegue logo e que possamos desfrutar da nossa liberdade sem medo de ser feliz! 

Bisous et à bientôt 😘

Vanessa🌻

9 comentários sobre “Confinamento em Paris – 2020 🖤

    1. Olá Sley, voltei com tudo, a fase difícil passou, nossa, foi horrível o confinamento aqui, deprimente! Agora estamos apenas com o toque de recolher, mas não me incomoda, qdo passamos por aquele confinamento, o toque passa a ser pequeno e nem incomoda.
      Assine o blog, segunda já tem um post novo e muito interessante, já tem uns 4 posts pré agendado, estou escrevendo muito, adoro! Essa repercussão do blog me alegrou muito, cerca de 40 mil acessos por dia! 😁🥰💓🙏🏼🙏🏼

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